CRITERIOS DE PARTICIPACIÓN
| Público objetivo | Dirigido a personas que se encuentren actualmente: – Hospitalizadas. – Asistiendo a centros de día o CRPS (Centros de Rehabilitación Psicosocial). – En tratamiento con psiquiatras. – Acudiendo a asociaciones de ayuda o de apoyo a personas con problemas de salud mental. |
| Obras aceptadas | Se aceptan relatos escritos durante el periodo de tratamiento o anteriores a éste (deberá indicarse si fueron escritos antes, siempre que estén relacionados con el proceso del problema de salud mental vivenciado). |
| Géneros aceptados | Relatos, poemas, experiencias, cuentos u otras creaciones literarias. |
| Extensión máxima | Máximo 4.000 palabras (equivalentes a un máximo de 10 páginas a una cara, si se considera la fuente Arial tamaño 12 e interlineado 1). |
| Formato aceptado | Word o PDF. |
| Idiomas aceptados | Portugués Para relatos en español bajo los mismos criterios de esta categoría, utiliza el formulario de la Categoría 1. |
| Límite de participación | Número máximo de obras admitidas: 200. Se cerrará la inscripción al alcanzar este límite o a la fecha de cierre de inscripciones, lo que ocurra primero. |
| Patrocinador | Distrito 4730 de Rotary International (Brasil) |
FORMULARIO DE INSCRIPCIÓN • CATEGORÍA 2
Esta categoría acepta únicamente obras en portugués.
Visita la página en portugués para acceder al formulario de inscripción de la Categoría 2.




2 valoraciones
Vida de lutas e desafios.
Uma vida de desafios, de luta, de paciência. Por muitas noites, dias e horas sem dormir.
Primeiro 20 anos de luta com uma tia com esquizofrenia, nossa, como foi difícil esse período de gritos, escândalos, sofrimento….até começar um tratamento e um pouco depois por complicações ela faleceu. Anos passaram então, minha única irmã, amada, meu grudezinho , descobriu um Câncer no seio com metástase óssea. Nossa meu mundo desabou, mas manter a firmeza e animando ela diariamente foi minha função. Meses se passaram, até que por um erro médico, as coisas complicaram muito e perdi minha irmã para a doença mais difícil de se lidar.
A lição disso tudo, não sei, esse foi o resumo de lutas, de tristezas. Hoje tento manter a mente equilibrada, com esperança de dias melhores.
A depressão ficou por um bom tempo, mas a superação é o maior desafio. Tentando, vivendo e aprendendo.
Contos baseados em delírios reais) Sussurros do Silêncio Desde pequena, nunca soube onde era meu lugar. A maioria das crianças nasce com um lar, uma parede com desenhos, um tapete com brinquedos, um canto que cheira à mãe. Eu nasci no deslocam
Contos baseados em delírios reais
Desde pequena, nunca soube onde era meu lugar. A maioria das crianças nasce com um
lar, uma parede com desenhos, um tapete com brinquedos, um canto que cheira à mãe. Eu
nasci no deslocamento. Fui criada entre abrigos, ruas, colchões emprestados, e o que mais
coubesse em uma mochila rasgada. O meu paradeiro era sempre o próximo.
Meu pai era um vulto molhado de álcool. Chegava esparramado em gritos que não batiam
na pele, mas afundavam no peito. Minha mãe… ela tentava. Tentava sobreviver, o que já era
muito.
Eu e minha irmã vendíamos bala nos sinais. Tínhamos medo do mundo e vergonha de
existir. Mas havia algo em mim, algo que nunca contei a ninguém — porque ninguém nunca
quis ouvir.
Desde muito cedo, percebi que havia um tipo de voz dentro de mim. Uma sensação de
saber o que viria. Às vezes, era como se o tempo cochichasse no meu ouvido. Antes de
alguém cair, antes de uma briga começar, antes de a dor chegar — eu sabia. E, quando não
falava, o meu corpo falava por mim. Tremia. Doía. Queimava por dentro.
Um dia, estávamos em um abrigo, no pátio. As crianças jogavam bola. Uma delas chutou
com força e a bola ficou presa no alto do poste. Todos riram. A bola não ia descer. Era o fim
do jogo. Mas algo em mim não aceitou aquilo. Eu, que quase nunca falava, me levantei.
Estiquei o braço. Apontei para a bola. Fechei os olhos. Imaginei o objeto se movendo.
E então… ela caiu.
Assim. Sem vento. Sem corda. Sem ajuda.
Caíram também os olhares. Mas ninguém disse nada. Talvez tenham esquecido. Ou talvez
tenham sentido medo. Eu senti.Desde então, me convenci de que alguma coisa dentro de mim… empurra o mundo. Mas
esse poder — se é que posso chamar assim — nunca me trouxe conforto. Não me salvou
do abandono. Não me deu teto. Não me protegeu dos olhares que evitavam os meus.
Às vezes, quando fecho os olhos, vejo cenas que ainda não aconteceram. Ouço sons que
não vieram de lugar algum. E sinto que o tempo está me puxando — para dentro.
É lá dentro que moram os monstros. Não os que aparecem em filmes, mas os que se
alimentam de memórias: o dia em que dormimos na calçada, a noite em que ouvi minha
mãe implorar comida, o gosto do medo misturado com chiclete vencido.
Hoje, já adulta, carrego tudo isso como quem arrasta correntes invisíveis. Quando passo
por lugares felizes demais, meu estômago vira. Quando vejo uma criança sorrir no banco de
trás de um carro, meus olhos ardem — como se eu quisesse pedir desculpa por ter existido
onde ninguém queria que eu estivesse.
Ainda sinto que posso mover coisas. Não objetos. Pessoas. Emoções. Ambientes.
Mas nunca consegui mover a mim mesma.
Sou feita do que sobrou. E o que sobrou… grita em silêncio.
No fundo, ainda estico a mão às vezes. Mas não para mover nada. Estico para ver se
alguém segura. Ninguém segura.
Talvez porque não enxerguem. Ou talvez porque o que mais assusta nas pessoas como
eu… não é o poder que carregam. É o que sobreviveram.
E isso — isso sim é aterrorizante.