A QUIEN SE DESTINA
Personas que actualmente enfrentan un problema de salud mental, sea:
- Hospitalizadas.
- Asistiendo a centros de día o CRPS (Centros de Rehabilitación Psicosocial).
- En tratamiento con psiquiatras o psicólogos.
- Acudiendo a asociaciones de ayuda o apoyo a personas con enfermedades mentales.
SOBRE LA CATEGORÍA
Se aceptan textos que hayan sido escritos durante el proceso de tratamiento o antes de iniciarlo, siempre que estén relacionados con las vivencias y emociones asociadas al proceso.
Los textos deben reflejar las experiencias personales del participante durante su tratamiento o los sentimientos que lo acompañaron antes de iniciarlo. La finalidad es dar visibilidad a las emociones vividas y fomentar la empatía y comprensión hacia quienes enfrentan problemas de salud mental.
Formatos aceptados: Relatos, poemas, experiencias, cuentos u otras creaciones literarias.
Extensión mínima: No hay.
Extensión máxima: 6.000 palabras o 15 páginas (a una cara), con fuente Arial tamaño 12 e interlineado 1.
Presentación: Word o PDF.
Idiomas aceptados: solamente PORTUGUÉS.
Utilize el formulario en portugués abajo. Para relatos en ESPAÑOL bajo los mismos criterios de esta categoría, utiliza el formulario de la Categoría 1.
Límite de participación:
- Número máximo de obras admitidas: 200.
- Se cerrará la inscripción al alcanzar este límite.
9 valoraciones
Sinfonia em Cinza-Menor
Sinfonia em Cinza-Menor
Ela era feita de névoa e de ecos. Carregava no peito uma sinfonia dissonante, composta por batimentos irregulares e silêncios densos demais para serem ouvidos. O diagnóstico — Transtorno de Ansiedade Generalizada — foi como a assinatura em um quadro que sempre estivera ali, mas que ninguém ousava nomear. A sertralina pintava seus dias com traços de estabilidade, e o clonazepam, quando necessário, velava as noites em que o caos ameaçava transbordar.
Mas havia sombras que nem os remédios sabiam decifrar. Eram sombras antigas, gravadas a sangue e lágrima, como um quadro de Goya — escuro, pulsante, brutal. A lembrança dos irmãos a espancando, das palavras cortantes como estiletes, do exílio imposto pela própria família, fazia de sua alma um vitral partido. O amor que deveria acolher, torturava. Narcisos quebrados diante do espelho.
Seu lar agora era outro. Um abrigo erguido com gestos gentis e olhares compreensivos — o marido, esse único farol em um mar turvo. Ele era sua “Nocturne” de Chopin: melancólico, sereno, feito para embalar almas inquietas. Mas mesmo ali, entre os lençóis brancos e os cafés quentes, a ansiedade se insinuava como uma neblina lilás, belamente traiçoeira.
A cada manhã, ela se vestia de coragem. Com o rosto pálido diante do espelho, passava o batom como quem desenha resistência. Era uma mulher feita de cores contrastantes — o azul escuro da dúvida, o roxo da introspecção, o vermelho súbito do pânico, e o cinza perene da preocupação. Uma aquarela em eterna tempestade.
Ela habitava uma realidade onde as emoções tinham textura: — O medo, um veludo rasgado. — A tristeza, uma chuva constante sobre tela de óleo. — A esperança, um clarão tímido no fundo de um quadro expressionista.
No jardim de dentro, flores ambivalentes. Rosas negras com espinhos de infância. Lavandas que nasciam no toque calmo do marido. Margaridas de papel, frágeis, mas determinadas a existir. E violetas, pequeninas e firmes, que resistiam ao inverno da alma.
Poucos compreendiam que o pavor não era escolha. Que não bastava sorrir, respirar fundo, pensar positivo. Ela vivia sob uma constante ópera de fundo “Bela Lugosi’s Dead” sussurrando nas entrelinhas do dia, e “How Soon Is Now?” questionando suas madrugadas. A ansiedade era seu acompanhante indesejado, o fantasma que murmurava nas frestas da porta, uma presença em preto-e-branco em um mundo que exigia cor vibrante.
Mas ela resistia. Com mãos trêmulas e um coração em guerra, ela plantava mais flores no seu jardim interno. Sabia que sua existência era como uma pintura de Frida Kahlo — bela, sofrida, resistente. E, mesmo em meio às sombras, ela seguia compondo sua própria sinfonia. Em cinza-menor, com notas de dor, mas também com acordes sutis de esperança.
Anamnese da depressão
tem mofo no pijama
na aranha que desfila no teto
tem tédio no mofo
no trajeto
da cozinha pra cama
tem mofo na comida da geladeira
na fruteira
uma banana
encolhida e insana
tédio na ausência de dopamina
na falta de produção de melatonina
mofo no varal de roupa
dependuradas nas posições mais toscas
corrimento na calcinha
tédio no sorriso da vizinha
tem mofo trepado na parede
olhando enviezado que nem demônio
tédio na falta do hormônio
tem água quente na chaleira
pra jogar nas formigas
inimigas
que dançam de mãos pra cima
para se livrarem do tédio
preciso de remédio
pra não ver
o tédio do mofo
o mofo do tédio
morro amanhã
enterrada pelo tédio
cercada pelo mofo.
Yo y la COVID
No es fácil superar la depresión, y cuando se instala, abre las puertas a otras enfermedades. Así fue como el COVID llegó a mi vida y, hasta el día de hoy, sigo sufriendo sus secuelas.
O delírio como poema (poema)
Fiz minha inscrição no concurso categoria 2 e não chega em meu correio nada para confirmar a inscrição
Autista
Cidade nublar
Um lugar para pessoas especiais.
Fim da Linha
Ansiedade
Ansiedade
Um peso no peito, uma dor que não passa,
Uma angústia que me consome, uma noite sem trégua que me abraça.
A mente gira, sem parar,
Pensamentos sombrios a me assombrar.
A incerteza me envolve, como uma névoa espessa,
Não sei o que vai acontecer, não sei o que fazer.
A ansiedade me ataca, como um lobo faminto,
Rasgando a minha paz, me jogando neste labirinto.
A dor é física, a dor é emocional,
Uma mistura de medo e desespero, quase fatal.
Eu sinto que estou presa, sem escapatória,
Numa cela de pensamentos sombrios, chegou minha hora.
Mas ainda há esperança, ainda há luz,
Um raio de sol, que lá no fim do túnel reluz.
Eu posso aprender a lidar, a controlar.
A ansiedade é apenas um intruso que posso expulsar.
Eu posso respirar, posso relaxar,
Eu posso encontrar a paz e me libertar.
A ansiedade não é o meu destino,
É uma pedra que encontrei no caminho.
Lançarei essa pedra fora,
E serei feliz sem demora.
Labirinto de mim
Labirinto de Mim
A depressão é um labirinto
dentro de nós mesmos.
E, ao entrar nesse labirinto,
a porta de entrada desaparece.
Começa, então, o desespero,
porque você quer sair
daquele lugar tão caótico,
mas não encontra a saída.
As coisas acontecem rápido demais,
numa velocidade impossível de acompanhar,
como um carrossel desgovernado
no qual você tenta subir,
se divertir como os outros.
Eles parecem felizes —
pelo menos, é o que aparentam —
mas você não consegue subir.
O carrossel gira rápido demais.
Você desiste.
Resolve andar mais um pouco
pelo labirinto.
De repente, encontra rostos conhecidos,
amigos até,
mas eles não te veem,
não te ouvem.
Você tenta gritar,
mas a voz não sai.
Como num pesadelo,
você se torna invisível.
Ninguém pode te ajudar.
Você chora,
sentindo-se sozinha,
desamparada.
Pensa nas promessas de ajuda,
em todas aquelas pessoas
que disseram que estariam lá.
Mas percebe, enfim,
que elas nada podem fazer.
Só resta procurar seu caminho
sozinha.
Você caminha mais um pouco.
Essa parte está escura demais.
Mesmo assim, entra.
Não foi uma boa ideia.
Seus pés começam a afundar.
Vem o desespero.
Você afunda.
Não enxerga onde está.
Você chora, pensando:
«Será esse o meu fim?»
«Ninguém vai me ouvir?»
«Ninguém virá me ajudar?»
Você se debate,
mas só afunda mais.
E pensa, de novo:
«Será esse o meu fim?»
Morrer no labirinto de mim?